João de Deus, ou não!

Confesso que sempre tive muita curiosidade em conhecer o João de Deus, pois ouvi duas histórias incríveis sobre ele, ou melhor o trabalho realizado pelo médium na Casa Dom Inácio de Loyola. Até que um dia meu marido teve uma reunião em Goiânia e eu falei: opa, vamos para Abadiânia? E ele topou, ainda bem. 
Fomos em maio de 2018, chegamos lá na quarta-feira no final do dia, meio escuro já. Confesso que deu um certo medinho, pois a cidade é bem simples e as pousadas são suuuuuuuper simples. A nossa pousada era um estilo casa da vovô (de 40 anos atrás, não as atuais), tinha bolinho com café e chá disponível o dia inteiro. Bom, no dia seguinte acordamos super cedo e fomos a pé para a Casa de Dom Inácio. Super fácil chegar lá, só seguir uma multidão de pessoas com roupas brancas e você chega, certeza. Na entrada você já é direcionado por animados voluntários que dizem o que você deve fazer. Tem que chegar cedo, para conseguir um lugarzinho, porque você pode ficar 4 horas ali. Sentamos e entramos na vibe do lugar, desligamos celulares, evitamos conversar e ficamos ali com os nossos mil pensamentos e eu observando tudo. Então, as 8 hs começam a chamar as pessoas de acordo com a cor da ficha que elas receberam, a nossa ficha de primeira vez foi chamada por último. Mas, o tempo todo o ritmo era o mesmo, pessoas entravam na sala, saiam, uma “guia” falava umas coisas que eu não conseguia ouvir e iam todos para a Farmácia. Enquanto isso, nós ouvíamos cantos, orações e testemunhos de algumas pessoas. 
Finalmente chegou a nossa vez, entramos em uma sala com dezenas de voluntários de olhos fechados, alguns com vendas, rezando ou meditando e alguns dormindo. Confesso que achei bonita a dedicação daquelas pessoas, não conseguia me imaginar horas, sentada de olhos fechados, sem conforto algum, sem fazer xixi, sem tomar água e no calor. Eu só pensava: Deus abençoa essas pessoas boas.  
Até que no fim do corredor surge em uma poltrona a figura do João. Chegou a minha vez e eu não tinha noção do que fazer. Ele olha pra mim e diz: De onde você é? O que você veio fazer aqui? Eu penso: Não faço ideia, só queria conhecer e ser uma pessoa melhor para os outros. Então, eu respondo: De São Paulo e quero ser uma pessoa melhor. E ele diz: Inspiração? E me dá um livro dele e um papel com rabisco. Eu tinha 2 fotos de pessoas que estavam passando por um momento de dificuldade e ele pega as fotos e rabisca um papel para cada uma. 
Saio da sala e atrás de mim vem meu marido, que apenas pegou na mão dele e recebeu um papel rabiscado. Um grupo se junta na saída e vem a “guia” e eu penso, agora eu vou descobrir o que ela fala.  E ela fala, quem recebeu esse papelzinho tem que voltar para o horário da tarde, às 14 hs. Eu fico tensa, confesso. Quem trouxe foto e recebeu um papel tem que passar na farmácia. Você vai na farmácia e te orientam a comprar 2 potes de passiflora “energizada” por R$ 100,00. Hum…. Tá bom, comprei, não quero prejudicar as pessoas da foto. Já pensou.  
Muito ansiosa antes das 14hs, voltamos para o mesmo lugar, no horário determinado. Pegamos uma ficha diferente. Depois de uma hora chamam todas as pessoas da nossa ficha: ” O médium determinou que todo mundo tem que passar pela cirurgia espiritual agora”. Eu, nesse momento, estou pensando: o que eu tenho, preciso fazer exames, vou chorar. Então, entramos e sentamos todos num banco de madeira e ficamos todos com os olhos fechados, não podia abrir de jeito nenhum. Não me pergunta o que aconteceu ali, eu não vi nada. Então saímos todos e recebemos um papel rabiscado na saída. Novamente vem a guia e diz: vocês passaram por um procedimento espiritual, precisam se dirigir à farmácia e adquirir a passiflora, além de ficar 80 dias em relações sexuais, sem bebida alcoólica, e mais um monte de coisa que eu já não conseguia mais prestar atenção. 
Saímos de lá e eu só queria chorar, sério. Só pensava: o que eu tenho, o que eu faço? Então, fomos para nossa pousada e ficamos ali cada um com seu pensamento. Mas, eu estava pensando em muita coisa. Analisando friamente tudo o que eu vi. No dia seguinte de manhã, fomos embora e no carro eu resolvo perguntar para o marido: o que você achou? E ele diz eu achei algumas coisas legais e outras estranhas. E eu pensei: ufa, não estou sendo calculista demais e comecei a falar. Gente, por favor, não pode ser normal um lugar de caridade, vender passiflora para todo mundo que vai lá. Ninguém sai de lá sem os potinhos. Então pensei, por dia são no mínimo 1.000 pessoas que passam ali, atendimento 3 vezes por semana, ou seja 12.000 pessoas por mês no mínimo, vezes R$ 100,00, o João embolsa no mínimo (porque você ainda compra passiflora para o pessoal da “foto”) R$ 1.200.000,00 por mês, sem pagar imposto nenhum. Mas, aí eu pensei, ele deve fazer caridade, fui ver a escola municipal da cidade, e claramente, aquele lugar não recebia ajuda, perguntei para o pessoal da pousada se o João era legal e a resposta foi: a gente não conhece ele, fui lá uma vez e tive que tomar um remédio e só. 
Eu estava muito incomodada com aquela “dança” toda que acontecia lá dentro para no final, você comprar remédios. Mas, eu achei que estava muito encanada, porque tinha acabado de ver a séria sobre o Osho na Netflix e tinha deixado para lá. Dois dias depois, nós estávamos em Brasília, sem beber, sem relações e tal, e escutamos a notícia de que a filha e a neta do João haviam tido um acidente gravíssimo de carro, perto de Brasília. Os dias passavam e a notícia era: João está na sua fazenda e irá visitar a filha e a neta na próxima semana. Eu pensei: Oi? Que? Sério? Se fosse o Lula você já tava lá. E naquele momento eu percebi que o melhor do João, está na fé de cada uma das pessoas que frequentam a casa. Essas pessoas fazem a energia do lugar e elas são capazes de receber o que precisam quando sua fé é capaz de mover montanhas. O João realmente pode ter sido um homem que facilitou e ajudou muitas pessoas na cura pela fé, mas talvez isso tenha mudado quem ele era e o transformado em outra coisa. Pode ser que ele esteja sendo acusado injustamente, mas se for o caso, que isso sirva para ele pensar onde ele esta sendo injusto, nessa fé tão grande que algumas pessoas depositam na pessoa dele. Uma coisa é certa, Deus é sempre justo e sabe o que faz, vamos aguardar e manter a fé em Deus, é claro.

Para quem quiser conhecer Abadiânia, sugiro ir de avião até Brasília ou Goiânia, alugue um carro no aeroporto e reserve uma pousada pela internet. Não são necessários guias ou agendamentos para entrar na casa. Você pode ir tranquilamente, é muito fácil. 

Dica de uma Pousada, que para mim é a mais linda, é a Pousada Villa Vida (http://pousadavillavida.com.br/). Eu não fiquei lá, mas só comia lá. Comida excelente e os quartos também são. Ah, ar-condicionado é muito bem-vindo, prestem atenção, Bjs.

Restaurante do Pousada da Villa Vida – alegria do dia!

 

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